Precisamos conversar: Suicídio por causa de bullying NÃO é frescura, e sim um problema (dos grandes)

Postado em 08/04/2017

“Ah, Luana, você vai falar sobre essa série que todo mundo está falando?? Já virou modinha!” Sim, eu vou falar sim, porque 13 Reasons Why vai muito além do que uma simples série adolescente. Para quem não viu a resenha, eu já postei aqui no blog (você pode ler aqui!).

Essa série me provocou várias reflexões sobre o tema bullying, seja ele virtual ou “cara a cara”. Todo mundo já foi uma Hannah Baker ou foi um dos porquês, se não se encaixa em nenhuma das opções, certamente já conheceu alguém que se encaixe. No meu caso, eu era uma Hannah Baker, e posso dizer com toda a certeza que o bullying é um assunto muito sério, onde as pessoas muitas vezes não tem dimensão do que uma brincadeirinha pode significar para alguém. Vocês sabiam que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 800 mil pessoas se suicidam por ano no mundo? Não são 100, 200, nem 1000 pessoas, são 800 mil! É uma morte a cada 40 segundos, ou seja, enquanto você está lendo esse texto, uma pessoa já cometeu suicídio. Enquanto eu escrevia esse texto, pelo menos 50 pessoas tiraram a própria vida. Triste, não?

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“Ah, ela só quer chamar a atenção, se corta por frescura, diz que vai se matar para todo mundo ficar com dó”. Vocês sabem como funciona a mente de uma pessoa que sofre desse mal? Vou explicar como a minha funcionava… Começou com uma brincadeirinha ali, “aquela menina é muito quieta, nunca vai ter amigos”, logo em seguida vem outro ataque,”olha que estranha, ela tem tantas espinhas, que nojo”, e em seguida vem mais um “ela é nerd, só se preocupa em tirar notas altas”. Aos poucos, eu começava a perceber as pessoas se afastando de mim, via grupinhos de amigas e sentia que eu não me encaixava em nenhum, e se tentava me aproximar elas diziam “dá licença, temos assuntos em particular para falar”. Então eu me afastava, e ouvia risadinhas à medida que eu ia embora. Isso fazia com que eu não me aproximasse de mais ninguém, ficasse no meu canto, achando que todas as risadas eram por minha causa. Ninguém me procurava para perguntar se eu estava bem, ou seja, ninguém se preocupava de fato. E por muito tempo foi assim, eu chorava baixinho e não tinha ninguém que eu me sentisse confortável para compartilhar a minha situação (se tinha, essa pessoa se afastava, assim como as outras). Por muitas vezes eu cheguei a pensar: “Por que eu estou vivendo isso? Quando isso vai acabar?”, e é exatamente isso que se passa na mente de pessoas que sofrem bullying, e muitas vezes o suicídio é a saída que elas encontram para acabar com o sofrimento e a dor. “Já que ninguém liga para mim, eu não farei diferença viva ou não”. E assim como a Hannah, acabam tirando a própria vida, a partir disso que as pessoas começam a se importar. Como diz no livro, “Acho que essa é a questão central. Ninguém sabe ao certo o impacto que tem na vida dos outros”. Felizmente eu superei toda essa fase e por isso dou muito valor aos meus amigos que fazem com que aquela fase ruim não volte, porém isso poderia ter um fim diferente, assim como a história daquela pessoa da sua sala/trabalho que é perturbada pelos colegas, pode acabar do pior jeito possível.

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Se esse é o seu caso, não deixe de procurar ajuda, converse com seus familiares a respeito do que está passando, não fique calado. A sua vida vale mais do que essa situação desconfortável. Agora se você é um dos porquês, tenha em mente o mal que você está causando. Uma simples brincadeirinha pode custar caro, e depois não adianta se arrepender e pedir perdão, pois o suicídio é um caminho sem volta e como diz em 13 Reasons Why, you can’t rewind the past (você não pode rebobinar o passado)#naosejaumporque 

** CURIOSIDADE: Segundo o CVV (Centro de Valorização da Vida), desde a estreia da série (31 de março) a procura por ajuda após as pessoas sofrerem bullying aumentou em 100%.

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